São Paulo, 11 de julho de 2025. Após quase 10 anos do maior desastre ambiental da história do país, o rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana (MG), a Bacia do Rio Doce ainda é marcada por uma série de violações de direitos humanos. Para mitigar os impactos das exclusões históricas que recaem sobre as populações dessa região, que compreende os Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, o Fundo Brasil de Direitos Humanos abre inscrições para a segunda edição do edital "Promoção e Defesa de Direitos Humanos na Bacia do Rio Doce".
Com investimento de R$ 1 milhão, a iniciativa selecionará 20 projetos de grupos, coletivos ou organizações da sociedade civil que atuam na área impactada pelo rompimento. Cada projeto selecionado poderá receber até R$ 50 mil. As propostas poderão ser enviadas até o dia 22 de julho de 2025, às 18h (horário de Brasília). Clique aqui para enviar o projeto da sua organização.
O edital pretende reforçar a atuação institucional de organizações que enfrentam violações de direitos humanos e promovem justiça socioambiental nos 46 municípios reconhecidos como atingidos pelo rompimento da barragem. O critério de seleção valoriza organizações em que a composição privilegie a equidade racial e de gênero, bem como aquelas com pouco ou nenhum acesso a outras fontes de financiamento. Acesse aqui a lista completa dos municípios aptos para receber o aporte financeiro.
"Nós temos uma experiência de anos na Bacia do Rio Doce, acompanhamos de perto o impacto das violações de direitos na região. Esse impacto recai sobre comunidades rurais e urbanas, povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, afeta de forma desproporcional as mulheres, a população negra, os idosos, o presente e o futuro de crianças e jovens", explica Ana Valéria Araújo, diretora executiva do Fundo Brasil de Direitos Humanos.
Os grupos apoiados na primeira edição do edital do Fundo Brasil voltado à Bacia do Rio Doce, realizada no ano passado, já acumulam experiências bastante significativas. "Temos uma associação de mulheres indígenas se reorganizando e ganhando voz em seu território, no município de Aracruz (ES). Em Pingo D'Água (MG), um assentamento está construindo alternativas de agroecologia, mesmo em meio à escassez de água segura para o uso na agricultura familiar", complementa Ana Valéria.
Mais histórias apoiadas pelo Fundo Brasil na Bacia do Rio Doce
Manoel dos Santos, mais conhecido como Nego da Pesca, lidera a Associação de Pescadores de Jacaraípe, no município de Serra (ES). Durante um encontro promovido pelo Fundo Brasil entre grupos apoiados na primeira edição do edital "Promoção e Defesa de Direitos Humanos na Bacia do Rio Doce", o pescador destacou que a água segue sendo uma questão crítica em todos os segmentos da Bacia, seja para a agricultura, pesca, para o consumo humano e dos animais, para o lazer e a sociabilidade das populações.
Mais especificamente para a prática pesqueira, Manoel lembrou que cada pescador garante trabalho para mais quatro ou cinco pessoas. "É quem dá manutenção no motor, quem dá manutenção no barco, quem beneficia o peixe, quem vende na feira", disse.
A atividade da pesca vem sofrendo há anos as consequências do derramamento de rejeitos de mineração no Rio Doce, em seus afluentes e no litoral do Espírito Santo.
Contexto socioambiental
A Bacia do Rio Doce enfrenta uma histórica crise de direitos humanos, agravada pelo rompimento da Barragem de Fundão em 2015, que destruiu ecossistemas, comunidades e impactou profundamente a vida de milhares de pessoas. Os efeitos sociais, ambientais e econômicos se somam a violações históricas, como vulnerabilidade social, desemprego e racismo ambiental. Em meio a esse cenário, são as populações mais afetadas pelas violações de direitos que seguem à frente da luta por direitos fundamentais.
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Sobre o Fundo Brasil de Direitos Humanos
O Fundo Brasil de Direitos Humanos é uma fundação independente, sem fins lucrativos, que atua há 18 anos com a missão de promover o respeito aos direitos humanos no país, criando mecanismos sustentáveis, inovadores e efetivos para fortalecer organizações da sociedade civil e para desenvolver a filantropia de justiça social e socioambiental.
A fundação faz isso captando recursos para destiná-los a organizações e comunidades que lutam por direitos fundamentais e combatem as desigualdades, a violência institucional e a discriminação em todo o país. Desta forma, atua como uma ponte, conectando doadores a projetos de transformação social.
A instituição apoia as lutas por justiça racial e de gênero, por direitos dos povos indígenas, de populações quilombolas e tradicionais, por justiça climática na Amazônia e nos demais biomas do país, por direitos de crianças e jovens, de pessoas LGBTQIA+, de trabalhadores rurais e precarizados, de comunidades impactadas por obras de infraestrutura e empreendimentos urbanos, de vítimas da violência de Estado e seus familiares, a luta contra o encarceramento em massa e a tortura no sistema prisional, entre outras.
O Fundo Brasil já apoiou mais de 1.900 projetos e doou mais de R$98 milhões. Para saber mais, acesse o site do Fundo Brasil.
Fonte/Créditos: Agência Ecomunica
Créditos (Imagem de capa): Mônica Nóbrega/Acervo Fundo Brasil
